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Revue Miriadi

1 | 2019

Richard Brunel Matias

INTERROM: para além da intercompreensão

Article

Resumo

Dentro do panorama mundial dos materiais orientados ao desenvolvimento da competência leitora plurilingue, destaca-se a obra InterRom, publicada no ano de 2007 por uma equipe de professores/pesquisadores da Faculdade de Línguas, da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), Argentina. A proposta didática, titulada Interrom - Estrategias para el desarrollo de lectura plurilingüe (Carullo, Torres, Marchiaro, Brunel Matias, Pérez, Navilli, Voltarel, Arroníz, 2007) foi elaborada para ser usada em seu contexto mais próximo, atendendo a uma demanda das faculdades dessa universidade nacional argentina, a de possibilitar aos seus acadêmicos o acesso a publicações em outras línguas românicas que não seja o espanhol, mediante interações plurilingues favorecidas pela leitura de textos em português, italiano e francês. Desde sua publicação, InterRom (2007) tem sido empregado com sucesso no ensino superior na UNC, hoje completando mais de uma década de uso ininterrupto. Mesmo assim, como todo material didático, cabem considerações a serem revisitadas, sobretudo quando temos em conta alguns dos atuais desenvolvimentos no campo da pesquisa da equipe InterRom, a qual tem assumido uma dimensão mais discursiva, ancorada na proposta teórico-metodológica do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) (Bronckart, 2012), trabalhando em prol do desenvolvimento de capacidades de linguagem para o domínio de gêneros textuais a partir da intercompreensão em línguas românicas, como um de seus focos de ação. Portanto, caberia (re)discutir InterRom à luz de conceitos como capacidades de linguagem (Dolz, Pasquier e Bronckart, 1993), sequência didática e ensino de IC em torno da noção de gêneros textuais, embora nosso objetivo maior continue sendo o de formar cidadãos críticos que saibam agir linguageiramente no mundo, em nossas sociedades multilingues, dando condições de desenvolver sempre seu desenvolvimento plurilingue, numa atitude de reconhecimento do outro, do diferente, do semelhante, enfim, da alteridade.

Table des matières

Texte intégral

1Neste trabalho proponho um trajeto que retoma a caminhada do nosso grupo de trabalho InterRom, uma equipe pioneira na América Latina no campo das Abordagens Plurais no ensino de línguas e que teve, em seus alvores, a intercompreensão em línguas românicas como foco. Pertencemos à Universidade Nacional de Córdoba, berço da Reforma Universitária de 1918 e somos, desde o ano de 2000, um grupo formado por professores-investigadores de diferentes línguas e iniciadores dos primeiros trabalhos sobre intercompreensão em línguas românicas em nossa universidade, país e continente. Estamos completando nossos 20 anos de atividades ininterruptas.

2Foi exatamente no 2000 quando professores de italiano, francês, português e espanhol decidimos trilhar nosso caminho e realizar uma adaptação - e por que não criação, propriamente dita - de um material didático para a intercompreensão que fosse propício aos desafios da educação de nível superior na Universidade Nacional de Córdoba. Sempre nos é memorável aquele encontro presencial de formação com o professor André Valli, quem ministrou um curso sobre o método Eurom4. Marchiaro (2012) recorda um dos grandes princípios da equipe InterRom quando menciona que no ano 2000 tuvimos la oportunidad de conocer el método para la enseñanza simultánea de las lenguas romances EUROM 4 y esto nos incentivó a iniciar una propuesta local, ajustada a nuestra realidad y a las necesidades de los ámbitos académicos y profesionales de nuestra región. Se conformó así el equipo de investigación InterRom, cuya denominación refiere a intercomprensión en lenguas romances, que está conformado por docentes-investigadores de las carreras de portugués, italiano, francés y español de la Facultad de Lenguas. Su labor investigativa se inscribe en el marco de una política lingüística universitaria de salvaguarda del plurilingüismo y de la diversidad cultural y de reposicionamiento de las lenguas romances en los distintos niveles educativos. (p. 2)

3 Hoje, há 20 anos de nossos inícios, sem nunca termos deixado de lado a nossa luta para manter viva a linha da Didática do Plurilinguismo e da diversidade cultural, continuamos muito comprometidos(as) com a necessidade de dar continuidade a promoção, a partir da universidade, de políticas linguísticas e práticas educativas que possibilitem a reinserção das línguas em nosso sistema educativo. Nossos materiais didáticos, que nascem de nossas pesquisas, são produzidos sob o lema Plurilingüismo y educación: prácticas, representaciones, enseñanza y aprendizaje de lenguas. Em nossa atual fase de pesquisa procuramos englobar diferentes estudos que problematizam diferentes aspectos do ensino e da aquisição de línguas nos três níveis do sistema educativo, ou seja, o ensino fundamental, o médio e o superior. Seguindo Gajo (2011), nos centramos no ensino plurilingue entendido como uma metodologia que realiza um projeto sociodidático consolidado na diversidade linguística. Nessa linha indagamos a partir de novos cenários, pois desejamos conhecer o que está acontecendo nas salas de aula, como está sendo construído o conhecimento sobre as línguas e sobre os conteúdos disciplinares e como se desenvolvem as capacidades de linguagem dos estudantes para o domínio de gêneros textuais, além de continuar fortalecendo a formação dos futuros professores de línguas, sejam elas estrangeiras ou maternas. Dessa forma, buscamos explorar as representações sociais de docentes e estudantes e sua relação com as práticas de ensino e aprendizagem, ou seja, as representações sobre as línguas e seus falantes. Para isso, o ensino e a aprendizagem são objeto de descrição através de análise documental e de atividades linguísticas específicas que fazem com que venham à tona posições e crenças. Também estamos indagando sobre as representações de distância e proximidade entre as línguas e o possível impacto dessas no desenvolvimento de habilidades linguísticas e metalinguísticas e, finalmente, realizando estudos sobre práticas de linguagem escritas e orais que nos permitem modelizar gêneros textuais para a intercompreensão em línguas próximas e otimizar os processos de compreensão e produção textual, sejam eles em língua materna ou estrangeira.

4 Para falar de nossa trajetória, temos um momento charneira da equipe, e isso aconteceu em 2007 com a publicação - como fruto de nossos primeiros sete anos de pesquisa - do primeiro manual de intercompreensão da Argentina, titulado InterRom. Propuesta didáctica para el desarrollo de estrategias de lectura plurilingüe. (Volúmenes 1 y 2) (Carullo, A. M.; Torre, M. L.; Marchiaro, S.; Pérez, A. C.; Brunel Matias, R.; Voltarel, S.; Arróníz, M.) - (doravante InterRom 2007). Em diferentes publicaciones muito já falamos sobre essa nossa proposta didática, assim como já foi objeto de estudo de Degache (2017), quem apresentou em linhas gerais uma análise da obra nas I Jornadas Latino-americanas de Estudos em Intercompreensão: materiais e didática, realizada na UNILA, Foz do Iguaçu - Brasil. Carullo e Marchiaro (2009) detalham o trabalho da equipe ao afirmarem que de 2000 a 2007 nosso objetivo foi o de determinar as estratégias cognitivas e metacognitivas empregadas por sujeitos adultos hispanofalantes, sem hábitos de estudos linguísticos e como leitores não expertos durante a leitura simultânea de textos em francês, italiano e português, base que fomentou a publicação de InterRom 2007.

5No primeiro triênio das atividades da equipe InterRom, ou seja, de 2000 a 2003, trabalhamos a partir da adaptação de EUROM4 e identificamos dificuldades que nos posicionaram, numa atitude autocrítica, numa nova seleção dos textos que compuseram a nossa obra em quanto a sua tipologia, sua complexidade sintática, seus elementos paratextuais, além de definir a linha didática da proposta que elaboramos, pois desejávamos contar com um modelo próprio de intervenção didática para o desenvolvimento de estratégias receptivas plurilingues (Carullo, Torre, Marchiaro, 2002; Carullo, Torre, Marchiaro, 2003 e Carullo, Torre, 2005) para o âmbito das carreiras de graduação em ciência humanas e sociais da Universidade Nacional de Córdoba.

6Entre 2004 e 2005 nos dedicamos à elaboração desse modelo próprio que recebeu aportes da psicolinguística, da linguística textual, da gramática contrastiva, da didática do plurilinguismo e do construtivismo educativo. (Carullo e Torre, 2007). Nos anos 2006 e 2007 a proposta didática foi pilotada e, além disso, adaptada à educação à distância. Os resultados permitiram determinar as representações linguísticas de leitores sem conhecimentos das línguas românicas que trabalhamos no material didático InterRom 2007, além dos tipos e categorias de transferências interlinguais (Meissner, 2004) utilizadas na leitura de textos em português, italiano e francês. Também pudemos identificar e descrever estratégias cognitivas e metacognitivas ativadas pelos estudantes, (Carullo e Marchiaro, 2009).

7 O lapso entre 2008 e 2012 foi dedicado a estudos sobre a compreensão oral em textos expositivos em línguas românicas. Em palavras de Marchiaro (2012) o propósito foi incorporar, como forma de complementação à leitura plurilingue, o ensino e a aprendizagem da intercompreensão oral. Tornou-se necessário o desenvolvimento de estratégias de ensino e aprendizagem eficazes para a intercompreensão do discurso oral expositivo em espanhol, francês, italiano e português e estabelecer as principais diferenças prosódicas entre essas línguas em sequências discursivas informativas/expositivas extraídas de um corpus; identificar como os estudantes percebiam o lexema isolado, escutado fora de seu contexto e determinar as estratégias cognitivas e metacognitivas ativadas frente à escuta-interpretação de sequências discursivas expositivas orais nas quatro línguas românicas em questão. Os resultados apontaram que a identificação do acento enfático ajuda na reconstrução do sentido do texto que se escuta, dado que nas quatro línguas parecem desempenhar funções similares como a de elemento de coesão que substitui marcadores discursivos; a de reestruturador de uma rede semântica e como uma marca de subjetividade enunciativa. (Marchiaro, 2012)

8Como todo material didático e como docentes que constantemente estamos elaborando nossos materiais didáticos, sabemos que sempre existem e existirão as considerações a serem feitas, demandantes de revisões. Por isso, dados os atuais desenvolvimentos no campo de nossa pesquisa, a qual tem assumido uma dimensão mais discursiva e sociolinguística da intercompreensão, assim como bases teórico-metodológicas ancoradas nos princípios do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) (Bronckart, 2004), estamos pensando em materiais que auxiliem os estudantes no desenvolvimento de capacidades de linguagem para o domínio de gêneros textuais a partir da intercompreensão em línguas românicas - é o caso das sequências didáticas para o ensino médio (Brunel Matias, 2017). Segundo Miranda (2012), O ISD é uma corrente que se inscreve no interacionismo social (na esteira de Voloshinov, Vigotsky e Mead, por exemplo). Desenvolvido inicialmente e desde os anos 1980 na unidade de Didática de Línguas da Universidade de Genebra, por uma equipe coordenada por Jean-Paul Bronckart, o ISD é hoje um espaço de pensamento, estudo e intervenção onde confluem as práticas de pesquisadores e profissionais da linguagem de diferentes países.

9No âmbito do ISD, os gêneros são concebidos como formatos textuais relativamente estabilizados – e, portanto, dinâmicos – que se associam a diversas atividades de linguagem (ou, em termos bakhtinianos – a diferentes “esferas de utilização da língua”). São atividades sociais e de linguagem, tais como a familiar, a jornalística, a publicitária, a administrativa, a literária, a jurídica, a comercial, etc. Os gêneros funcionam como instrumentos ou modelos psicossociolinguísticos aos quais se recorrem necessariamente para a produção e a interpretação de qualquer texto (MIRANDA, 2010). (p. 122)

10Nesse viés, caberia (re)discutir InterRom 2007 à luz de conceitos como capacidades de linguagem, sequência didática e ensino de IC em torno do conceito de gêneros textuais. Porém, como equipe, decidimos que essa obra deverá permanecer como está, dado que reeditá-la e publicar de acordo com essas novas orientações teóricas seria “criar” um novo material didático. Consideramos que InterRom 2007 é uma contribuição de nosso grupo que deve ser entendida em seu contexto e em seu tempo, sem perder de vista que devemos continuar formando cidadãos críticos que saibam agir linguageiramente no mundo e, que para isso, talvez tenhamos que pensar para além da intercompreensão em si mesma, mesmo sendo esta, sempre, um excelente portal que nos leva a diferentes ações didáticas.

11Não obstante, Kendziura (2019), em sua tese de especialização em Didática das Línguas Estrangeiras, cujo título é Diseño y elaboración de materiales didácticos para el Módulo de Intercomprensión en Lenguas Romances de la Licenciatura en Comunicación Social e que atualmente se desempenha como professor nos Módulos de Intercompreensão na Faculdade de Ciências da Comunicação (FCC) da Universidade Nacional de Córdoba, unidade acadêmica que usa desde InterRom 2007, desenhou uma versão ad hoc, adaptando nossa proposta de 2007 ao contexto próprio da formação do licenciado em comunicação social. Assim, propõe uma apostila elaborada para a intercompreensão com fins específicos, cujo objetivo é promover o desenvolvimento de capacidades de linguagem para o domínio de gêneros textuais do campo dessa faculdade da UNC. Em recente publicação, Brunel Matias e Kendziura (2020, no prelo), voltamos a nos perguntar sobre como poderíamos potenciar o enfoque intercompreensivo no âmbito do ensino superior na formação dos comunicadores sociais. A proposta de Kendziura (2019) permite pensar que a problemática reside em atender a falta de um material didático específico, criado especialmente para o Módulo de Intercomprensión en Lenguas Romances da FCC. O autor dá conta dos interesses e demandas desse contexto específico de intervenção pedagógica e de seus destinatários, os futuros comunicadores sociais que se formam na UNC. Além disso, busca identificar os aportes da didática do plurilinguismo e do interacionismo sociodiscursivo (ISD) sem perder de vista a obra mestra, InterRom 2007. Baseado nesse material de origem, Kendziura (2019) propõe uma nova organização que aconteceu mediante a orientação da engenharia didática do ISD, a partir da noção de sequência didática. Podemos, então, falar de sequências didáticas plurilingues que atendem os interesses dos estudantes da supracitada licenciatura. Os módulos que compõem a sequência didática têm como finalidade não apenas problematizar uma prática linguística determinada, mas também desenvolver uma prática linguística plurilingue e, além disso, dominar um aspecto específico do gênero que se transforma em objeto de estudo, atendendo às características comuns entre as diferentes línguas de trabalho (italiano, português, francês e espanhol) e a sua especificidade.

12Seguramente a proposta de Kendziura (2019) tem sua inspiração nos resultados das pesquisas realizadas pelos professores da equipe InterRom que a partir de 2012 começam a orientar sua pesquisa no ensino médio, ampliando, assim, seu âmbito de intervenção a outro nível do sistema educativo. Isso se deu devido aos resultados que foram atingidos no âmbito universitário durante o período 2000-2010. Nossa linha de pesquisa e criação de material didático em perspectiva plurilingue tiveram um forte impacto na graduação, na extensão e também na pós-graduação da Faculdade de Línguas da UNC e, tal como já afirmamos, na Licenciatura em Ciências da Comunicação também da UNC. Essa presença levou a abertura de espaços curriculares e extracurriculares para a intercompreensão de línguas românicas. Foi nesse viés que, em 2012, apresentamos à Secretaria de Ciência e Tecnologia da Universidade Nacional de Córdoba o projeto denominado Enfoques Plurales en la Escuela Secundaria: Impactos de la intercomprensión en lenguas romances en el desarrollo de las competencias lingüístico-discursiva e intercultural en adolescentes escolarizados. Um dos grandes objetivos foi a incorporação da perspectiva das abordagens plurais no ensino médio através da elaboração de sequências didáticas para o desenvolvimento da competência leitora e de estratégias metalinguísticas e metacognitivas em línguas românicas e em espanhol (a língua de escolarização) assim como o desenvolvimento das capacidades de linguagem para a produção escrita em língua materna. (Marchiaro e Brunel Matias, 2015).

13Mais recentemente, desde 2018, a equipe InterRom está dando continuidade aos estudos iniciados em 2012, pensando numa abordagem que integre as aprendizagens linguísticas e as vincule com os contextos disciplinares escolares na educação primária, secundária e superior. Entre os anos 2014 e 2017 elaboramos e avaliamos sequências didáticas que possibilitam que adolescentes escolarizados do Ensino Médio possam desenvolver capacidades de linguagem para melhorar sua produção escrita em língua materna (espanhol), a partir de uma abordagem plurilingue de ensino/aprendizagem de línguas. Amado, Pérez e Brunel Matias (2015) afirmam que uma das sequências didáticas promove ações de intercompreensão relacionadas com a conservação do ambiente, mediante atividades que incluem o trabalho com diferentes gêneros textuais, estimulando a reflexão sobre temas ambientais críticos e o desenvolvimento de estratégias de produção de textos escritos em espanhol. Assim, a proposta InterRom 2012 fundamenta-se numa abordagem social e intercultural. E para finalizar, almejamos entre 2018 e 2021 explorar atitudes e representações sobre as línguas, sobre seu ensino e sua aprendizagem em práticas linguageiras situadas. Para isso, faz-se necessário conhecer quais são as estratégias interativas de professores e estudantes em situações de ensino plurilingue, o que nos têm levado à validação didática de nossas propostas afim de que elas possam, efetivamente, promover um desenvolvimento de capacidades de linguagem e um ensino sistemático de habilidades de compreensão e produção de gêneros textuais numa perspectiva plurilingue.

Reflexões

14Como membro de uma equipe que está há 20 anos investigando no campo da Didática do Plurilinguismo, caberia iniciar uma pesquisa com o objetivo de revitalizar a proposta InterRom 2007. Para tanto, seria necessário fazer um relevamento dos gêneros textuais presentes em nossa obra, o que nos levaria a criar um representativo corpus de práticas de linguagem, autênticas, completas, que conservem a informação paratextual, dado que são elas as que permitem a aproximação ao contexto de produção do texto. Isso nos levaria a uma nova edição que talvez deixasse de ter como subtítulo desarrollo de estrategias de lectura plurilingüe e passasse a desarrollo de capacidades de lenguaje para la lectura plurilingüe. As bases teórico-metodológicas para realizar este estudo poderiam ser as do Interacionismo Sociodiscursivo - ISD - (Bronckart, 2004) e uma nova proposta para o trabalho com a intercompreensão em línguas poderia surgir tendo em conta a noção de sequência didática do ISD (Dolz; Noverraz e Schneuwly, 2004) a partir dos aportes de estudos de modelizações de gêneros textuais que têm sido feitos no Brasil e na Argentina, sobretudo e pelos membros da equipe InterRom.

15Um novo material só seria possível mediante trabalho de pesquisa, ou seja, qualquer material didático deveria ser pensado sempre a partir da pesquisa. Por isso, para muito além de desenvolver uma competência para a leitura plurilingue e a intercompreensão, um novo material didático deveria capacitar os estudantes ao desenvolvimento de capacidades de linguagem para a leitura crítica de textos em línguas aparentadas, e aqui, sim, defendo a necessidade de incluir mais línguas que as quatro tradicionais que estão quase sempre presente em muitas obras, ou seja, poderíamos dar lugar às demais línguas românicas assim como aos incontáveis dialetos com os quais formamos a grande família das línguas neolatinas.

16Penso que uma abordagem para a intercompreensão centrada na noção gêneros textuais e nas bases da engenharia didática do Interacionismo Sociodiscursivo ajudaria a formar cidadãos críticos para agirem num mundo em que muitas vozes querem ser caladas. Os textos não deveriam ser “usados” - e deixo entre aspas de propósito - para apresentar conteúdos gramaticais ou de léxico, apenas. De entrada, sabemos que existe um contexto de produção que deve ser levantado, considerado, um paratexto que deve ser considerado e não eliminado e que a constituição empírica do texto deve-se, fortemente aos delineamentos dos parâmetros contextuais de sua produção. Além disso, a seleção de um gênero textual conduz a levar para a sala de aula a ideologia que ele aporta. Por certo, ficam mais que abertas as portas a uma nova e instigante pesquisa.

Bibliographie

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Pour citer ce document

Richard Brunel Matias, «INTERROM: para além da intercompreensão», Revue Miriadi [En ligne], Revue Miriadi, 1 | 2019, mis à jour le : 03/12/2020, URL : https://publications.miriadi.net:443/index.php?id=326. (ISBN: 978-2-9573966-0-3)

Auteurs

Quelques mots à propos de :  Richard Brunel  Matias

richardbrunelmatias@gmail.com

Facultad de Lenguas

Universidad Nacional de Córdoba - Argentina

Professor de português. Membro da equipe InterRom - Facultad de Lenguas da Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. Mestre em Ensino de Español como Língua Estrangeira. Doutorando em Ciências da Informação.